APRENDIZAGEM EM AÇÃO: POTENCIALIDADE E GESTÃO PARTICIPATIVA DA PAISAGEM

APRENDIZAGEM EM AÇÃO: POTENCIALIDADE E GESTÃO PARTICIPATIVA DA PAISAGEM
APRENDER NA CIDADE, APRENDER COM A CIDADE

por Euler Sandeville Jr. (2013)

Às vezes imagino que na entrada das universidades há um monumento aos alunos sem nome dos ciclos básicos. Seguramente acompanhado do monumento aos professores sem nome. Estas são pessoas muito importantes, às quais não se dá importância alguma, senão quase que só numérica, no país. Esse monumento tem muita razão de ser, e é invisível, como os humanos aos quais é dedicado. É construído com ideias e afetos, com ações e experimentações. Tem uma espacialidade que se estende como uma respiração através de todos os meandros da instituição, reanimando as pessoas que estão sedentas de ar puro. Não com matéria, nem certificados, nem com registros. É criado animado por um espírito livre, como um sopro quase imperceptível, como passa imperceptível a multidão à qual se refere (dezenas de milhões!). Este monumento sem nome, deve nos lembrar uma espiral em busca da sua verdade com e diante dos outros, solidária: aprendizado.
SANDEVILLE JR., 2011.

As disciplinas e oficinas (que chamamos OFICIPLINA, para favorecer um imaginário integrado das ações e atividades desenvolvidas) assumem um caráter experimental e participativo, estabelecendo um processo de concepção e organização colaborativo, envolvendo alunos, moradores e pesquisadores. Construiu-se um percurso coletivo de vivência e pensamento, em busca de uma relação dinâmica e criativa entre Universidade, Cidade e Cidadãos, que se espera transformadora de parte a parte. Continuar lendo

Paisagem e Lazer: Representações da Metrópole (para os brasileiros de Brasilândia).

Paisagem e Lazer: Representações da Metrópole (para os brasileiros de Brasilândia).
Euler Sandeville Jr. e Cecília Maria de Morais Machado Angileli

 

SANDEVILLE JUNIOR, Euler; MACHADO, Cecilia Maria de Moraes. Paisagem e lazer: representações da metrópole (para os brasileiros de Brasilândia). OLAM (Rio Claro), Rio Claro, v. 5, p. 01-12, 2005.

Resumo

Estuda-se a relação da população de região norte na Vila Brasilândia, São Paulo, SP, com os espaços públicos e privados em sua apropriação para lazer. Verifica-se a criação e valorização de pontos de encontro e redes de sociabilidade onde possível, como extensão da moradia. Estabelecem-se espaços alternativos que valorizam a vivencia coletiva, os contatos sociais, a troca de informações e a brincadeira. Isso não significa que não se estabeleçam formas de controle social do espaço, que se dá tanto pelo encontro onde muitos se conhecem, quanto por diferenciações que se estabelecem entre a população residente. Não se pode desconsiderar que esse controle inclui também formas de marginalidade e de violência, tornando-se isso parte do morar e do cotidiano da cidade, alheia aos padrões de ordem que se procuram a todo custo estabelecer nas áreas centrais de maior poder aquisitivo. Nesse contexto, vão-se revelando mudanças de sentido na relação público-privado. Continuar lendo

A PAISAGEM DO MUNICÍPIO COMO TERRITÓRIO EDUCATIVO

A PAISAGEM DO MUNICÍPIO COMO TERRITÓRIO EDUCATIVO
Euler Sandeville Jr.

SANDEVILLE JUNIOR, Euler. A paisagem do município como território educativo. In PADILHA, Paulo R.; CECCON, Sheila e RAMALHO, Priscila (Orgs.). Município que Educa: fundamentos e propostas. São Paulo, ED,L, Vol. 1, nov., 2010.

Já agora ninguém educa ninguém, como tampouco ninguém se educa a si mesmo: os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo (FREIRE, 2005:79) Continuar lendo

QUANDO A CASA VIRA PARQUE

QUANDO A CASA VIRA PARQUE

Euler Sandeville Júnior e Cecilia Maria de Morais Machado Angileli

SANDEVILLE JR., Euler; ANGILELI, Cecilia Maria de Morais Machado. Quando a Casa Vira Parque. In: XV ENAMPUR, 2013, Recife. Anais do XV ENAMPUR, 2013.

RESUMO

Este artigo apresenta os impactos sociais e ambientais decorrentes da implantação de Parques Lineares na Zona Noroeste da cidade de São Paulo. Estas pesquisas, apontam grandes impactos sobre as comunidades atingidas que se dão ao longo do tempo, antes das obras, com a insegurança, a falta de informação sobre as obras e as remoções; durante as obras com as grandes mudanças urbanas e pós-obra, com a convivência com equipamentos alheios ao cotidiano da população. Deste modo, apresenta-se neste artigo dois estudos de caso, Parque Linear de Perus e o Parque Canivete. O primeiro, com o projeto executivo concluído, revela nos conflitos estabelecidos um modo pouco participativo de desenhar a intervenção na cidade, pela desconsideração das contribuições e anseios locais que permitiriam um maior alcance social e ambiental ao projeto. O segundo, apresenta questões importantes sobre as modificações da paisagem decorrentes de sua implantação, bem como da apropriação deste espaço após a conclusão das obras.

Palavras – chave: Parques Lineares – Remoções de População– Paisagem – Renovação Urbana Continuar lendo

O PARTIDO ARQUITETÔNICO E A CIDADE: AS ESTAÇÕES DE METRÔ DE SÃO PAULO

O PARTIDO ARQUITETÔNICO E A CIDADE: AS ESTAÇÕES DE METRÔ DE SÃO PAULO
Euler Sandeville Jr.

PARTINDO

O partido arquitetônico é o resultado de um processo de decisões que expressa a tensão entre os elementos considerados, a demanda, a personalidade criativa, o domínio construtivo e os valores do arquiteto. A cidade, ao contrário, não é uma obra individual, é construção social, tensa e contraditória, de forças em disputa ou que entram, em algum momento, em sinergia; sempre um processo coletivo e transgeracional.

O partido é a autoria, o controle de um objeto que se insere em um espaço social, coletivo e político, que muitas vezes lhe é estranho, e assim é apropriado, ou percebido e ressignificado por aqueles a quem a obra se destina. Disso resulta um rico campo de contradições e de possibilidades, muitas vezes pouco explorado. Estabelecer a relação projetual e construtiva entre partido (autoral) e cidade (trabalho social e experiência intersubjetiva) apresenta, no mínimo, um campo problemático, de difícil solução, embora potencialmente experimental. Continuar lendo

UNIVERSIDADE LIVRE E COLABORATIVA EM PERUS: UMA EXPERIÊNCIA DIDÁTICO-PEDAGÓGICA DE APRENDIZAGEM COLABORATIVA

UNIVERSIDADE LIVRE E COLABORATIVA EM PERUS: UMA EXPERIÊNCIA DIDÁTICO-PEDAGÓGICA DE APRENDIZAGEM COLABORATIVA

Euler Sandeville Jr.,  Gabriel de Andrade Fernandes, Regina Célia Soares Bortoto

a origem do programa

O programa Universidade Livre e Colaborativa iniciou-se em 2011, a partir do encontro do Núcleo de Estudos da Paisagem (NEP) do LABCIDADE (FAU USP) com lideranças sociais, artistas e professores no bairro de Perus, em especial a Comunidade Cultural Quilombaque e o coletivo de educação Coruja, gerando atividades experimentais didático-pedagógicas, de enfrentamentos e busca de soluções de questões urbanas e sociais na região. Tanto o NEP, quanto os grupos parceiros em Perus, vinham de um acúmulo de experiências anteriores de articulação entre universidade e comunidade, o que permitiu gerar um programa de trabalho novo, de uma abrangência maior do que fora possível até então, denominado Universidade Livre e Colaborativa.

Figura 1: Programa Universidade Livre e Colaborativa, NEP USP / Quilombaque / Coruja. Aula integrada graduação, pós-graduação, moradores, março de 2013.

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Cultura e Paisagem, uma nova perspectiva no tecido urbano

CULTURA E PAISAGEM, UMA NOVA PERSPECTIVA NO TECIDO URBANO
Por Euler Sandeville Jr* e Eliane Manfré** (2014)

 

No atual Plano Diretor Estratégico (PDE) de São Paulo foi incluído um instrumento potencialmente inovador, os “Territórios de Interesse da Cultura e da Paisagem” (TICPs), a partir das lutas de movimentos comprometidos com educação e cultura na cidade. Entre estes movimentos estão a Universidade Livre e Colaborativa (um programa dialógico de construção de conhecimentos e ações coletivas que envolve o Núcleo de Estudos da Paisagem do LabCidade da FAUUSP e moradores da região de Perus, e se entrelaça com o Movimento pela Reapropriação da Fábrica de Cimento de Perus, que luta pelo uso público, educativo e cultural da antiga Fábrica e seu complexo paisagístico) e a Iniciativa pelos Territórios Culturais, surgida a partir do Movimento Cine Belas Artes (MBA) no processo de discussão do PDE, reunindo um número mais amplo de participantes, produtores culturais, representantes das artes cênicas e visuais, músicos e cidadãos. Vale lembrar que o MBA vinha de uma luta emblemática não apenas pela reabertura do cinema, mas também pela qualificação do urbano a partir da cultura, frente a pressões imobiliárias fortíssimas. Continuar lendo