A paisagem natural tropical e sua apropriação para o turismo

A PAISAGEM NATURAL TROPICAL E SUA APROPRIAÇÃO PARA O TURISMO
Euler Sandeville Jr.
Pubicado em 2002 (cf. referência no final da página)

RESUMO
O capítulo A paisagem natural tropical e sua apropriação para o turismo contribui para elucidar significados da ‘natureza tropical enquanto elaboração da cultura, em uma perspectiva histórica. Discute mudanças de pensamento e comportamento frente à natureza na passagem do século, alertando para aspectos ideológicos das atuais formas de sua apropriação simbólica, sobretudo enquanto componente do produto turístico. A mercantilização da paisagem e de imagens da natureza subjuga seu caráter anárquico e selvagem, padronizando e institucionalizando sua vivência e comportamentos perante ela. O capítulo foi escrito com base em minha Tese de Doutoramento “As Sombras da Floresta. Vegetação, Paisagem e Cultura no Brasil” (SANDEVILLE JR. 1999)

O ano de 1492, com a rendição de Granada, simbolizou o fim do domínio mouro na Europa. Nesse mesmo ano partiu a expedição de Cristóvão Colombo para as Índias, após mais de dez anos de tentativas e descréditos. Continue Lendo “A paisagem natural tropical e sua apropriação para o turismo”

mundos modernos

MUNDOS MODERNOS (O MUNDO CONTEMPORÂNEO ALARGADO)
Euler Sandeville Jr.
Julho de 2017 (definição da seção março de 2016, texto atualizado em fev. de 2018, basicamente propondo nova proposição da abrangência do período)

 

Neste sítio a seção Mundos Modernos abrange aproximadamente entre meados do século XVIII e meados do século XX, ou cerca de 1751, quando se publica a  Encyclopédie, ou dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers [1] a 1945 com o encerramento brutal da igualmente trágica II Guerra Mundial. Como sempre insisto, essas datas são apenas uma referência para uma aproximação das discussões, e são atravessadas necessariamente por outras possibilidades de periodização.

Esse período, se aceito com essas referências desses cerca de duzentos anos, fica demarcado por uma série de revoluções (1775 – 1783 a Revolução Americana, 1789-1799 a Revolução Francesa, pelas revoltas entre 1848-1871 culminando com a Comuna de Paris), indicando uma condição social nova, ou em profunda transformação. Publicações científicas colocaram no decorrer desse período as bases de uma nova interpretação do mundo e da natureza, da existência, sob a égide estrita da matéria, do social, do progresso e logo do acaso. A noção de progresso conduz já entrando no século passado marcos difíceis como as duas grandes guerras, a Revolução Russa (1917), as diversas formas de colonialismo, os grandes regimes totalitários, etc. Continue Lendo “mundos modernos”

visões artísticas da cidade e a gênese da paisagem contemporânea

VISÕES ARTÍSTICAS DA CIDADE E A GÊNESE DA PAISAGEM CONTEMPORÂNEA
Euler Sandeville Jr.
Versão inicial 2011. Publicado em 2013, ano 2012 (veja referência no final desta página)
Tema transversal (XVI-XX)

 

apresentação

Há várias abordagens para interpretar a cidade. Podemos pensá-la como morfologia e tipologia (SOLÁ- MORALES I RUBIÓ 1997, PANERAI et al. 1983), como dinâmicas ambientais (SPIRN 1995, HOUGH 2004), como estruturas urbanas que suportam as mais diversas práticas para produção, circulação e consumo (VILLAÇA 2001, LEFEBVRE 2001), como espaços da vida, da intersubjetividade e espaços de poder (CALDEIRA 1984, VOGEL e SANTOS 1985), como normatização e regulamentação (MEIRELLES 1981), como história (SICA 1981, BENEVOLO 1983), como espaços de transgressão (DÉBORD 1999) e assim por diante. Esses recortes temáticos revelam intencionalidades e posicionamentos que são espaciais, sociais, políticos, e se desdobram na seleção de procedimentos interpretativos e descritivos.

Mas a dimensão sensível da cidade, e da paisagem (CAUQUELIN 2007), aninha-se existencial em sua arquitetura, nos seus espaços lúdicos, nos espaços de convivência e trabalho, nas práticas que os geram para neles se abrigarem, transformando-os. Essa arquitetura da cidade não é apenas visualidade e funcionalidade, nem é apenas economia e política; é experiência, é significada no vivido. O sentido da cidade se dá em suas práticas, nas heranças que abrigam, nas temporalidades em que se constrói a paisagem como lugar, obra histórica e social coletiva, e como múltiplas formas de estar com outros e consigo mesmo (SANDEVILLE JR. 2004, 2005, 2010). É sempre uma cidade que poderia ter sido outra, geralmente melhor em sua qualidade, resultante de nosso trabalho e de nossas decisões. É, portanto, também uma cidade em gestação, que ainda pode ser outra.

alguns aspectos da nossa cidade-arte sensível: fragmentos paisagísticos da paisagem Continue Lendo “visões artísticas da cidade e a gênese da paisagem contemporânea”