AUP0569 – PLANEJAMENTO DE BAIRROS, 2018b

AUP0569 – PLANEJAMENTO DE BAIRROS, 2018, segundo semestre
FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO DA USP
DISCIPLINA OPTATIVA

Professor Euler Sandeville Jr.
Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (CIEJA) Perus I
https://nep.arq.br/2018/07/10/aup0569-planejamento-de-bairros-2018b/

Projeto Construção do território, Território Vivido, NEP CIEJA Perus
grupo de estudos do Núcleo de Estudos da Paisagem – NEP sobre o Território de Interesse da Cultura e da Paisagem Jaraguá Perus – TICP JP
colaboração com movimentos sociais que desenvolvem o TICP Jaraguá Perus.

A disciplina é aberta à participação de moradores.

Créditos Aula: 4 . Créditos Trabalho: 1. Carga Horária Total: 90 h . Tipo: Semestral

Objetivos da disciplina

Desenvolver a capacitação específica do arquiteto de atuar no planejamento participativo local, através da elaboração de planos de bairro, relacionando-os com as demais escalas de planejamento territorial, considerando aspectos sociais, culturais e ambientais e da gestão integrada e participativa de serviços e equipamentos públicos, bem como sua articulação com processos de planejamento e gestão democrática mais amplos.

Programa Resumido

Propõe-se a prática de estudo e proposta de plano local ou plano de bairro, através de uma recuperação de conceitos aplicados à realidades urbanas existentes ou de expansão urbana, envolvendo a participação comunitária na elaboração e implantação, bem como sua articulação com escalas e processos de planejamento democráticos mais amplos.

Programa

Para isso ela escolherá áreas específicas de cidades existentes e proporá aos alunos praticarem uma análise do processo de produção, apropriação e consumo da área analisada, com a finalidade de se avaliar os interesses sociais em jogo. Uma bibliografia de apoio será utilizada para desenvolver o embasamento teórico da análise. Paralelamente serão levantados os dados específicos da área inclusive as condições de organização comunitária da mesma, visando desenvolver uma participação da comunidade no processo de seu planejamento. Ao final os alunos apresentarão propostas de ordenação dos bairros, justificadas à luz da análise teórica desenvolvida

Estratégia da disciplina no segundo semestre de 2018

A disciplina será realizada no segundo semestre sobretudo às sextas e sábados (veja coronograma previsto), tendo como área de estudos os bairros Recanto dos Humildes e Jardim da Conquista, em Perus. São bairros periféricos, sujeitos a severos indicadores de vulnerabilidade social, com lutas por moradia, educação e saúde, entre outras. Está no contexto de grandes impactos, fazendo fronteira com o Aterro Bandeirantes (desativado por lutas dos moradores), com o Rodoanel, com o parque Linear Ribeirão Perus (em licitação), e nas imediações de potenciais megaprojetos como o NESP e o Ferroanel, e de pressões por novos loteamentos em decorrência do incremento das dinâmicas urbanas. Os bairros estão ainda bastante próximos da Fábrica de Cimento Perus e outros bens tombados a partir das demandas de movimentos sociais locais que lutam por sua preservação e transformação em uso público por mais de 30 anos.

O eixo central da disciplina está em torno da compreensão da construção social do território, e seu estudo como território vivido, através do diálogo com moradores, em uma perspectiva de educação para a cidade. A disciplina conta com a participação de professores, moradores e movimentos locais de Perus. Terá como finalidade um diagnóstico propositivo a ser realizado de modo participativo com moradores, inclusive importante contingente de imigrantes haitianos. Visa contribuir para a estruturação do Território de Interesse da Cultura e da Paisagem Jaraguá Perus no trecho em questão.

Os Territórios de Interesse da Cultura e da Paisagem foram criados no Plano Diretor de 2014, a partir de ações desenvolvidas na região Jaraguá Perus no programa Universidade Livre e Colaborativa realizada conjuntamente pelo NEP e movimentos da região (Quilombaque, projeto Coruja, aldeia Jaraguá e outros), e por colaboração com movimentos culturais da região Paulista Luz, entre eles o movimento Belas Artes, tendo resultado a criação do instrumento e desses dois TICPs na cidade. Atualmente desenvolvemos o projeto “Construção do Território, Território Vivido” e o grupo de trabalho e pesquisa em cooperação com os movimentos pela construção do Território Jaraguá Perus.

É organizada no âmbito do projeto “Construção do Território, Território Vivido” a partir de uma parceria do Núcleo de Estudos da Paisagem (NEP) com o Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (CIEJA) Perus I, visando uma construção coletiva entre universidade, escola e moradores para potencializar a capacidade interpretativa dos processos urbanos e ambientais. Dá continuidade ao projeto “Universidade Livre e Colaborativa”, realizado na região Perus-Anhanguera-Jaraguá entre 2011 e 2016, com participação de coletivos de cultura, de educação, indígenas e moradores da região mencionados acima. Desse trabalho resultou a criação do “Território de Interesse da Cultura e da Paisagem (TICP) Jaraguá Perus” em 2014.

Conteúdos

É prevista a análise crítica da concepção de Planos de Bairro (instituídos no PDE 2014), bem como o Plano de Bairro de Perus, atualmente o único existente na cidade e as propostas de sistematização elaboradas pela Federação do Comércio, colocando em questão as metodologias participativas de diagnóstico e gestão local. Os bairros previstos para desenvolvimento são o Recanto dos Humildes e Jardim da Conquista. Apesar do foco local, será importante a compreensão das lutas sociais históricas da região e o impacto de grandes projetos, potencializados pelas conexões do Rodoanel, a possível ida do Ceasa (NESP) e do Ferroanel para as imediações da área de estudo, entre outras dinâmicas em curso, como o projeto do Parque linear contíguo à área de estudo cuja audiência pública aconteceu em junho. Toda a produção da disciplina se assenta no diálogo com moradores, professores e ativistas locais buscando construir processos de conhecimento da realidade urbana e estudar as possibilidades de sua transformação social e colaborativa. Espera-se um processo de troca de conhecimentos e de aprendizagem conjunta, potencializando o encontro de diferentes saberes na elaboração de um diagnóstico da cidade vivida, potencialmente transformador, tendo a cidade como um espaço educativo, de construção da cidadania, indagando as potencialidades de gestão local em um contexto de reais necessidades sociais e de insuficiência da presença do poder público e suas políticas sociais. Nesse sentido, a habilidade na construção desses diálogos será decisivo para o alcance e desenho do processo pedagógico. Ao longo de todo o trabalho esperamos poder pensar a paisagem e o território como espaços educativos em uma perspectiva de aprendizagem colaborativa.

Cronograma previsto

É absolutamente fundamental que os participantes compreendam a importância dos processos dialógicos de aprendizagem e a participação nos dias de aulas externas, diferencial e razão de ser da disciplina. Do contrário, não se poderia pensar em um diagnóstico participativo. O cronograma proposto procura equilibrar as atividades de campo e de atelier, abrindo alguns dias para desenvolvimento dos trabalhos e para orientações, e maximizar as possibilidades de encontro e diálogo dos alunos com ativistas e moradores da região em estudo.

AULA

DIA

DIA

LOCAL

CONTEÚDO

AGOSTO

01

sex

24/08

FAU

APRESENTAÇÃO E AULA EXPOSITIVA. Dinâmica da disciplina, importância das aulas externas, TICP Jaraguá Perus. Aspectos ambientais, culturais e sociais. Megaempreendimentos previstos.

sex

31/08

FAU

APRESENTAÇÃO E AULA EXPOSITIVA. Planejamento e gestão descentralizada. Bibliografia de referência.

SETEMBRO

sex

07/09

SEMANA DA PÁTRIA

sex

14/09

PERUS

PEA I. Apresentação dos professores e alunos do CIEJA Perus I e parceiros do movimento pelo TICP JP e pela Reapropriação da Fábrica de Cimento Perus: Visões da cidade (do bairro). Algumas características dos bairros em estudo, com moradores convidados.

sex

21/09

PERUS

Diálogo com moradores.

sex

28/09

FAU

Trabalho em equipe: preparo do material e levantamento de dados da região, analisar plantas e imagens, realizar pesquisas.

sab

29/09

PERUS

CAMPO I. manhã e tarde, conhecendo o bairro e a região

OUTUBRO

sex

05/10

FAU

ATELIER. Análise e espacialização dos dados. Compreensão das escalas implicadas nos processos.

sex

12/10

DIA DA CRIANÇA

sex

19/10

FAU

ATELIER. Seminário de Andamento I.

sex

26/10

FAU

Trabalho em equipe: organização do diagnóstico com material já levantado.

sab

27/10

PERUS

CAMPO II. Verificação dos dados e das análises em campo, diálogos com moradores.

NOVEMBRO

sex

02/11

FINADOS

sex

09/11

PERUS

PEA I. OFICINA SOBRE DIAGNÓSTICO E DIRETRIZES

sex

16/11

REPÚBLICA. RECESSO ESCOLAR

sex

23/11

FAU

ATELIER. SISTEMATIZAÇÃO E ELABORAÇÃO DE DIAGNÓSTICOS E DIRETRIZES

sex

30/11

FAU

ATELIER. SISTEMATIZAÇÃO E ELABORAÇÃO DE DIAGNÓSTICOS E DIRETRIZES

DEZEMBRO

sab

01/12

PERUS

PERUS. APRESENTAÇÃO PÚBLICA DOS RESULTADOS PARCIAIS. OFICINA ABERTA.

sex

07/12

FAU

ATELIER. REVISÃO E ORIENTAÇÃO PARA FECHAMENTO.

sex

14/12

ENTREGA (NA SECRETARIA)

sex

21/12

Avaliação

Será considerada a efetiva participação e colaboração dos alunos nas atividades desenvolvidas. Espera-se trabalhar em uma perspectiva colaborativa tanto nas dinâmicas internas da turma, de levantamento, leituras, interpretação e elaboração do material cartográfico, como em sua relação com parceiros externos e moradores. Será considerada a frequência e participação, que deve indicar a compreensão da postura dialógica com outros atores sociais externos à universidade, em especial moradores de baixa renda, a colaboração na organização dos trabalhos e estudos, a qualidade dos produtos resultantes, inclusive seminários e oficinas intermediárias e apresentação pública, bem como a qualidade dos textos e partes gráficas do dossiê final da disciplina, que será disponibilizado aos parceiros e eventualmente a órgãos da administração pública.

Alguns links que podem interessar:

 

Imagem do Jardim da Conquista/Recanto dos Humildes, Perus, SP. Campo da oficina do Núcleo de Estudos da Paisagem com professores do CIEJA de elaboração do projeto “Construção do Território, Território Vivido”, 2018. Foto: acervo do projeto.

Território de Interesse da Cultura e da Paisagem Jaraguá Perus (TICP-JP), aprovado no Plano Diretor de 2014, criado por proposição do Núcleo de Estudos da Paisagem e movimentos de Cultura e Educação de Perus, Quilombaque, Projeto Coruja no programa Universidade Livre e Colaborativa. Na imagem acima, conforme foi inserido nas estratégias regionais dos Planos Regionais, 2016.

Bibliografia

ANGILELI, Cecília Maria de Morais Machado. Chão. Orientador: Euler Sandeville Jr. Tese de Doutorado. São Paulo: FAUUSP, 2012.

ARANTES, Antonio A. A guerra dos lugares. Sobre fronteiras simbólicas e liminaridades no espaço urbano. Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional p. 191-203.

CALDEIRA, Teresa P.R. A Política dos Outros – O Cotidiano dos Moradores da Periferia e o que pensam do poder e dos poderosos. São Paulo: Editora Brasiliense, 1984.

CAMPOS FILHO, Cândido Malta. Reinvente seu bairro: caminhos para você participar do planejamento de sua cidade. São Paulo: Editora 34, 2003.

ELIAS, Norbert; SCOTSON, John L.. Os estabelecidos e os outsiders. Sociologia das relações de poder a partir de uma pequena comunidade. Trad. Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 2000 [1964], Introdução. Ensaio teórico sobre as relações estabelecidos-outsiders, p 19-50.

FONSECA, Claudia; BRITES, Jurema (Orgs). Etnografias da Participação. Santa Cruz do Sul, RS: EDUNISC, 2006.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

GARCÍA BOCANEGRA, J. C. La experiencia colombiana en los planes parciales y el reajuste de terrenos. In: MONTANDON, D. T. (coord.). Anais do Seminário Internacional Instrumentos Urbanísticos de Gestão da Valorização da Terra e de Indução do Desenvolvimento Urbano: um diálogo Brasil-Japão-Colômbia. Brasília: Ministério das Cidades, 2010, p.57-74.

MENEZES, Ulpiano Bezerra de. A paisagem como fato cultural. In: YÁZIGI, Eduardo (org). Turismo e Paisagem. São Paulo: Contexto, 2002, pg. 65 a 82.

SANTORO, P. F. O planejamento da expansão urbana: dilemas e perspectivas. Tese de doutorado. São Paulo: FAUUSP, 2012.

SANDEVILLE JR., Euler . Planos de bairro e participação na lógica de transformação urbana de São Paulo. Revista Contraste, São Paulo, FAU USP, 2013.

SANDEVILLE JR., Euler. Por pedagogias participantes e criativas na paisagem e no ambiente. São Paulo: Paisagem e Ambiente Ensaios, FAUUSP, 2013.

SINGER, Paul. Movimentos de bairro. In São Paulo: o povo em movimento. Org. Paul Singer e Vinícius Caldeira Brant. 4a ed. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, CEBRAP, 1983, pág. 83 a 107.

VAINER, Carlos B. Os liberais também fazem planejamento urbano? Glosas ao “Plano Estratégico da Cidade do Rio de Janeiro”. In ARANTES, Otília; VAINER, Carlos; MARICATO, Ermínia. A cidade do pensamento único. Desmanchando consensos. Petrópolis: Vozes, 2002, 3a ed, p. 105-119.

VOGEL, Arno; SANTOS, Carlos Nelson F. dos (coord). Quando a rua vira casa. Apropriação de espaços de uso coletivo em um centro de bairro. Rio de Janeiro: IBAM, 1985, 3a ed. [pesq. 1979], p 11-54, 65-110, 127-142

 

 

 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.