O PARTIDO ARQUITETÔNICO E A CIDADE: AS ESTAÇÕES DE METRÔ DE SÃO PAULO

O PARTIDO ARQUITETÔNICO E A CIDADE: AS ESTAÇÕES DE METRÔ DE SÃO PAULO
Euler Sandeville Jr.

PARTINDO

O partido arquitetônico é o resultado de um processo de decisões que expressa a tensão entre os elementos considerados, a demanda, a personalidade criativa, o domínio construtivo e os valores do arquiteto. A cidade, ao contrário, não é uma obra individual, é construção social, tensa e contraditória, de forças em disputa ou que entram, em algum momento, em sinergia; sempre um processo coletivo e transgeracional.

O partido é a autoria, o controle de um objeto que se insere em um espaço social, coletivo e político, que muitas vezes lhe é estranho, e assim é apropriado, ou percebido e ressignificado por aqueles a quem a obra se destina. Disso resulta um rico campo de contradições e de possibilidades, muitas vezes pouco explorado. Estabelecer a relação projetual e construtiva entre partido (autoral) e cidade (trabalho social e experiência intersubjetiva) apresenta, no mínimo, um campo problemático, de difícil solução, embora potencialmente experimental. Continuar lendo

UNIVERSIDADE LIVRE E COLABORATIVA EM PERUS: UMA EXPERIÊNCIA DIDÁTICO-PEDAGÓGICA DE APRENDIZAGEM COLABORATIVA

UNIVERSIDADE LIVRE E COLABORATIVA EM PERUS: UMA EXPERIÊNCIA DIDÁTICO-PEDAGÓGICA DE APRENDIZAGEM COLABORATIVA

Euler Sandeville Jr.,  Gabriel de Andrade Fernandes, Regina Célia Soares Bortoto

a origem do programa

O programa Universidade Livre e Colaborativa iniciou-se em 2011, a partir do encontro do Núcleo de Estudos da Paisagem (NEP) do LABCIDADE (FAU USP) com lideranças sociais, artistas e professores no bairro de Perus, em especial a Comunidade Cultural Quilombaque e o coletivo de educação Coruja, gerando atividades experimentais didático-pedagógicas, de enfrentamentos e busca de soluções de questões urbanas e sociais na região. Tanto o NEP, quanto os grupos parceiros em Perus, vinham de um acúmulo de experiências anteriores de articulação entre universidade e comunidade, o que permitiu gerar um programa de trabalho novo, de uma abrangência maior do que fora possível até então, denominado Universidade Livre e Colaborativa.

Figura 1: Programa Universidade Livre e Colaborativa, NEP USP / Quilombaque / Coruja. Aula integrada graduação, pós-graduação, moradores, março de 2013.

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Destacado

“Imagino na entrada das universidades um monumento aos alunos sem nome dos ciclos básicos. Seguramente acompanhado do monumento aos professores sem nome. Estas são pessoas muito importantes, às quais não se dá importância alguma, senão quase que só numérica, no país. Esse monumento tem muita razão de ser, e é invisível, como os humanos aos quais é dedicado. É construído com ideias e afetos, com ações e experimentações. Tem uma espacialidade que se estende como uma respiração através de todos os meandros da instituição, reanimando as pessoas que estão sedentas de ar puro. Não com matéria, nem certificados, nem com registros. É criado animado por um espírito livre, como um sopro quase imperceptível, como passa imperceptível a multidão à qual se refere (dezenas de milhões!). Este monumento sem nome, deve nos lembrar uma espiral em busca da sua verdade com e diante dos outros, solidária: aprendizado.” (Euler Sandeville Jr. Paisagens Partilhadas. São Paulo: Tese de Livre  Docência, FAU USP, 2011).

Bem-vindo ao sítio do Núcleo de Estudos da Paisagem (NEP), da Espiral da Sensibilidade e do Conhecimento e de A Natureza e o Tempo (o Mundo) e de outras atividades de ensino e pesquisa sob responsabilidade de Euler Sandeville Jr. (FAU USP). Os trabalhos são concebidos a partir dos princípios da Espiral da Sensibilidade e do Conhecimento (2002), da proposição da Paisagem como Experiências Partilhadas e Socialmente Produzidas (concebida a partir de 1981) e de estudos em História da Cultura e da Paisagem (a partir de 1981).

Entre outros projetos, destaco Paisagens Partilhadas e a Universidade Livre e Colaborativa, voltados para processos coletivos e solidários de construção de conhecimentos e solução de problemas e, na área da História da Cultura e da Paisagem, destaco entre outros As Sombras da Floresta. Vegetação, Paisagem e Cultura no Brasil (1993-1999, que tem continuidade em Representações da Natureza e da Cidade no Brasil) e o projeto A Natureza e o Tempo (o Mundo) (desenvolvido a partir de 2016).

Nossas ênfases atuais estão definidas em duas linhas de pesquisa, envolvendo pesquisadores de graduação a pós-graduação e colaboradores externos :

1.Arte, Natureza e Cidade. História da Cultura e da Paisagem (Representações e Poéticas)

2. Paisagem, Cultura e Participação Social: Processos Colaborativos de Construção de Conhecimentos

Figura 1: percurso docente para construção do NEP e suas etapas. Continuar lendo

PROGRAMA UNIVERSIDADE LIVRE E COLABORATIVA

PROGRAMA UNIVERSIDADE LIVRE E COLABORATIVA: Processos Colaborativos de construção do conhecimento e Aprendizagem em Ação (2003-2012; 2012-2015)
Euler Sandeville Jr., fev 2018

O Programa valoriza a capacidade interpretativa dos processos urbanos e ambientais relacionando escalas regionais e locais, acompanhando políticas públicas, realizando estudos de percepção e de memória da paisagem com moradores, estudos de conectividade ambiental urbana, estudos colaborativos de potencialidades de paisagem. Trata-se de uma pesquisa exploratória que se entrelaça com outras pesquisas docentes, suas atividades didáticas e de orientação, constituindo uma base empírica de aplicação e diálogo.

Esses estudos e os processos colaborativos acima indicados estão presentes Continuar lendo

DIRETRIZES / VALORES

NÚCLEO DE ESTUDOS DA PAISAGEM – DIRETRIZES / VALORES
docente responsável: Euler Sandeville Jr.

 

O Núcleo de Estudos da Paisagem adota metas ou diretrizes visando qualidades não apenas na pesquisa, mas no desenvolvimento mais pleno do pesquisador e do grupo. Essas metas envolvem três áreas:

a) a das relações consigo mesmo, com a orientação e com os colegas no grupo;
b) a dos compromissos do Núcleo de Estudos da Paisagem enquanto partícipe da universidade pública com a função social da pesquisa e do ensino;
c) a dos objetivos e qualidades das relações que o Núcleo e seus pesquisadores estabelecem no campo, e dos compromissos em nossos trabalhos com as pessoas envolvidas. Continuar lendo

OBJETIVOS

NÚCLEO DE ESTUDOS DA PAISAGEM – OBJETIVOS (2018)
docente responsável: Euler Sandeville Jr.

1. Acolher, incentivar, aprofundar e orientar estudos acadêmicos de construção de conhecimentos segundo as linhas de pesquisa docente, as pesquisas e projetos em andamento, e construir com parceiros internos e externos programas de ação social, aprendizagem e ensino, segundo os valores fundamentais postulados nos princípios do NEP.

Valorizar em todos esses trabalhos as formas de conhecimento acadêmico, as dimensões poéticas e as relação sensíveis e éticas com a natureza, com as paisagens e com os viventes que as significam e transformam com suas vidas.

2. Continuar lendo

Cultura e Paisagem, uma nova perspectiva no tecido urbano

CULTURA E PAISAGEM, UMA NOVA PERSPECTIVA NO TECIDO URBANO
Por Euler Sandeville Jr* e Eliane Manfré** (2014)

 

No atual Plano Diretor Estratégico (PDE) de São Paulo foi incluído um instrumento potencialmente inovador, os “Territórios de Interesse da Cultura e da Paisagem” (TICPs), a partir das lutas de movimentos comprometidos com educação e cultura na cidade. Entre estes movimentos estão a Universidade Livre e Colaborativa (um programa dialógico de construção de conhecimentos e ações coletivas que envolve o Núcleo de Estudos da Paisagem do LabCidade da FAUUSP e moradores da região de Perus, e se entrelaça com o Movimento pela Reapropriação da Fábrica de Cimento de Perus, que luta pelo uso público, educativo e cultural da antiga Fábrica e seu complexo paisagístico) e a Iniciativa pelos Territórios Culturais, surgida a partir do Movimento Cine Belas Artes (MBA) no processo de discussão do PDE, reunindo um número mais amplo de participantes, produtores culturais, representantes das artes cênicas e visuais, músicos e cidadãos. Vale lembrar que o MBA vinha de uma luta emblemática não apenas pela reabertura do cinema, mas também pela qualificação do urbano a partir da cultura, frente a pressões imobiliárias fortíssimas. Continuar lendo